A Voz da Diocese

Domingo: “Dia do Senhor”

Saudamos a todos os que acompanham a Voz da Diocese e conosco celebram o 31º Domingo do Tempo Comum, encerrando o mês das missões, recordando que a nossa missão continua na família, na comunidade e em todos os ambientes de nossa convivência.

A liturgia nos fala do mandamento do amor a ser vivido em duas direções essenciais: amor a Deus e amor ao próximo. Na primeira leitura Moisés recorda ao povo de Israel o quanto Deus é compassivo e misericordioso ao libertá-lo da escravidão e o conduzi-lo a uma terra de fartura. Exorta a reconhecer o “senhorio de Deus” e amá-lo de todo o coração: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Dt 6,4), e prossegue: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 2,5).

Da mesma forma, no Evangelho, Jesus, no diálogo com um mestre da lei, renova este antigo mandamento como sendo o primeiro de todos e complementa ao dizer que o segundo é: “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12,31).

Para nós, além de compreendermos o que o Senhor no pede nestes mandamentos, que podemos expressar de outra forma, como: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”, ainda encontramos o testamento final de Jesus ao final da última ceia, quando diz aos seus discípulos: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13, 34). Eis, portanto, aqui nesta mensagem, uma indicação importante para nosso relacionamento com Deus e com os irmãos de forma a agradar a Deus e observar fielmente os seus mandamentos.

Caros irmãos e irmãs! Observando que estamos em um momento melhor em relação à pandemia da Covid-19 e, seguindo ainda os cuidados sanitários necessários, já podemos retomar a participação na vida de nossas comunidades. A vida cristã alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, torna-se uma fonte de bênção para todos os que nos rodeiam, instrumento de transformação social e resposta ao amor de Deus por toda a humanidade. Desta forma, recordamos o que nos diz a Exortação de São João Paulo II, “Dies Domini” sobre o valor do Domingo:

“O dia do Senhor — como foi definido o domingo, desde os tempos apostólicos, mereceu sempre, na história da Igreja, uma consideração privilegiada devido à sua estreita conexão com o próprio núcleo do mistério cristão. [...] É a Páscoa da semana, na qual se celebra a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, o cumprimento n'Ele da primeira criação e o início da « nova criação » (cf. 2 Cor 5,17). [...] Ao domingo, portanto, aplica-se, com muito acerto, a exclamação do Salmista: « Este é o dia que Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria » (118 [117], 24). [...] É convite a reviver, de algum modo, a experiência dos dois discípulos de Emaús, que sentiram « o coração a arder no peito », quando o Ressuscitado caminhava com eles, explicando as Escrituras e revelando-Se ao « partir do pão » (cf. Lc 24,32.35). É o eco da alegria, ao princípio hesitante e depois incontida, que os Apóstolos experimentaram na tarde daquele mesmo dia, quando foram visitados por Jesus ressuscitado e receberam o dom da sua paz e do seu Espírito” (cf. Jo 20,19.23). (1)

“Aos discípulos de Cristo, contudo, é-lhes pedido que não confundam a celebração do domingo, que deve ser uma verdadeira santificação do dia Senhor, com o « fim de semana » entendido fundamentalmente como tempo de mero repouso ou de diversão. Urge, a este respeito, uma autêntica maturidade espiritual, que ajude os cristãos a « serem eles próprios », plenamente coerentes com o dom da fé, sempre prontos a mostrar a esperança neles depositada (cf. 1 Pd 3,15). Isto implica também uma compreensão mais profunda do domingo, para poder vivê-lo, inclusivamente em situações difíceis, com plena docilidade ao Espírito Santo”. (4)

“Com efeito, o dever de santificar o domingo, sobretudo com a participação na Eucaristia e com um repouso permeado de alegria cristã e de fraternidade [...]. Verdadeiramente, grande é a riqueza espiritual e pastoral do domingo, tal como a tradição no-la confiou. Vista na totalidade dos seus significados e implicações, constitui, de algum modo, uma síntese da vida cristã e uma condição necessária para bem a viver. Compreende-se, assim, por que razão a Igreja tenha particularmente a peito a observância do dia do Senhor, permanecendo ela uma verdadeira e própria obrigação no âmbito da disciplina eclesial. Mas, uma tal observância, antes ainda de ser sentida como preceito, deve ser vista como uma exigência inscrita profundamente na existência cristã. É de importância verdadeiramente capital que cada fiel se convença de que não pode viver a sua fé, na plena participação da vida da comunidade cristã, sem tomar parte regularmente na assembleia eucarística dominical. Se se realiza na Eucaristia aquela plenitude de culto que os homens devem a Deus e que não tem comparação com qualquer outra experiência religiosa, uma expressão particularmente eficaz disso verifica-se precisamente quando, ao domingo, se congrega toda a comunidade, obedecendo à voz do Ressuscitado que a convoca para lhe dar a luz da sua Palavra e o alimento do seu Corpo, como fonte sacramental perene de redenção. A graça, que dimana dessa fonte, renova os homens, a vida, a história. (81) [...] E os seus discípulos, renovando-se constantemente no memorial semanal da Páscoa, tornem-se anunciadores cada vez mais credíveis do Evangelho que salva e construtores ativos da civilização do amor”. (87)

Prezados irmãos e irmãs. Peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a retomar com alegria, nossa participação na Igreja e, valorizando o domingo como “Dia do Senhor”, alcancemos a graça de vivermos fielmente o mandamento deixado por Ele. Amém


Dom Adimir Antonio Mazali

Bispo Diocesano de Erexim – RS

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