A Voz da Diocese


Em isolamento social, mas em profunda comunhão na Semana Maior da fé cristã

Neste primeiro domingo de abril, o de Ramos e da Paixão, iniciaremos a Semana Santa deste ano, em situação inédita na história da Igreja. Teremos as diversas celebrações, nas quais muito mais pessoas participam do que nos outros domingos e dias santos, sem a a presença dos fiéis. Pela quarentena, eficaz meio na prevenção contra a Covid-19, estaremos em maior convivência familiar e em profunda comunhão, através dos recursos midiáticos atuais, na celebração da Semana Maior da vida cristã, a mais importante do ano, tempo de mergulhar nos acontecimentos centrais da Redenção e reviver o Mistério Pascal, o grande Mistério da fé; de cada pessoa e comunidade acolherem Cristo como o povo simples em Jerusalém; de reviver a última Ceia com Ele, na mesma disposição ao serviço fraterno, imitando-o no lava-pés; de subir com Ele ao Calvário para a entrega total do amor ao Pai e aos irmãos; de festejar a Páscoa, na certeza de que a luz vence as trevas e de que a vida construída em Cristo vai além dos limites do tempo e se plenifica na eternidade.

Alguns aspectos desta semana

Domingo de Ramos e da Paixão: Jesus entra em Jerusalém montado num jumento, em sinal de humildade e despojamento pessoal e de um projeto de vida na justiça, no serviço generoso, no amor misericordioso, bem diferente do projeto dos poderes do mundo que se impõem pela força e pelo poder. Cabe a cada um acolhê-lo na disposição de estar com Ele carregando a cruz ou estar com os que a colocaram sobre ele; de estar ao lado dEle na cruz ou do lado dos que O colocaram nela. Dispostos a não alternar “bendito” e “crucifica-o”, guardamos em nossas casas os ramos desta aclamação a Cristo para lembrar-nos o compromisso de testemunhar com a vida o que realizamos na celebração.

Quinta-feira Santa: Instituição da Eucaristia, do sacerdócio ministerial e do mandamento novo da caridade, deixado por Jesus aos seus discípulos. No pão e no vinho, Cristo se faz presente com seu corpo entregue e com seu sangue derramado. É o sacrifício da nova e definitiva aliança oferecida a todos. Dia especial de agradecer a Deus o grande dom da Eucaristia, a ser acolhido com devoção e adorado com fé viva, e o sacerdócio, dom do coração de Jesus, segundo S. Cura D’Ars.

Sexta-feira Santa: Coloca-nos diante de algo que humanamente parece absurdo: Deus não só se faz humano, com todas as necessidades do ser humano, não só sofre para salvar o ser humano, carregando sobre si toda a tragédia da humanidade, mas morre pelo ser humano. A morte de Cristo recorda o cúmulo da dor e dos males que pesam sobre a humanidade de todos os tempos: o peso esmagador de nosso morrer, o ódio e a violência que ainda hoje ensanguentam a terra. A paixão do Senhor continua nos sofrimentos das pessoas, especialmente das vítimas das emergências climáticas e das tragédias sociais e da atual pandemia Covid-19.

Sábado Santo: A Igreja vela em oração como Maria e junto a Maria, compartilhando seus próprios sentimentos de dor e de confiança em Deus. O recolhimento e o silêncio nos conduzirão à solene Vigília Pascal, “mãe de todas as vigílias”. Em todas as igrejas e comunidades ressoará o canto de alegria pela ressurreição de Cristo, proclamando a vitória da luz sobre as trevas, da vida sobre a morte, e a Igreja exultará pelo encontro com seu Senhor. É a Páscoa da Ressurreição.

Domingo de Páscoa: Aleluia, Cantamos a vitória do Cristo Ressuscitado! Vamos anuncia-la e testemunhá-la com nossa vida de fidelidade ao seu Evangelho, na esperança de nossa própria ressurreição eterna. Vamos irradiar a paz e a vida nova que nos oferece. (Bento XVI).

Pe. Antonio Valentini Neto – Administrador Diocesano de Erexim.

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