A Voz da Diocese

Atualizado: 28 de Mar de 2020


Isolamento social, oportunidade para aprofundar diálogo com Deus e na família

Grande número de países adotou o isolamento social por alguns ou mais dias como grande meio de conter o avanço do Coronavírus, covid-19. Segundo a BBC Brasil, um terço da população mundial, que significa 2.800.000.000 de pessoas teve que mudar de hábitos de forma mais ou menos drástica. Segundo a mesma fonte, por levantamento da Unesco, Organismo da ONU para a cultura, 157 países adotaram o fechamento de escolas. Anúncios motivacionais pedem enfaticamente às pessoas: “fiquem em casa”.

Em situação normal, o isolamento social é a falta de interação de uma pessoa com a sociedade por algum problema psicológico ou de doença física. É também a exclusão de pessoas pelo grupo a que pertencem ou da sociedade em geral. Pode verificar-se pelo buylling, pela rejeição a portadores de doenças como a AIDS, pela situação social ou por outros fatores. Muitos idosos vivem abandonados. No tempo de Cristo, os leprosos eram excluídos do convívio familiar e comunitário.

O atual isolamento social é fator preventivo contra o contágio do temível vírus que ameaça a humanidade. Mas ele pode também favorecer a retomada ou o aprofundamento do diálogo familiar e com Deus, do valor do silêncio, da necessidade imprescindível da solidariedade, do desapego e desprendimento, para saber viver com menos, evitando o acúmulo de bens e dinheiro.

O profeta Oseias diz que Deus levou seu povo ao deserto para falar-lhe ao coração. Na situação em que vivemos, no recolhimento de nossas casas, podemos cultivar momentos de silêncio, de leitura da Palavra de Deus, de oração ardorosa, de renovação de nossa fé e confiança em Deus. Nosso Papa nos ajuda a isso pela recomendação que fez há poucos dias:Nesta situação inédita, em que tudo parece vacilar, ajudemo-nos a permanecer unidos naquilo que realmente conta”. Ele também disse:E numa situação difícil e desesperadora, é importante saber que existe o Senhor a quem nos podemos agarrar". E Deus "nos apoia de muitas maneiras". Nesta situação, podemos entender melhor o valor do recolhimento, a exemplo de Jesus que, frequentemente, se retirava a sós para a oração.

O pedido ou a ordem das autoridades do campo da saúde de ficarmos em casa nos remete à importância da família. Se na correria da vida, que forçosamente precisamos interromper, não temos tempo para o aconchego familiar, agora podemos tê-lo para dialogar, para fortalecer a convivência. Nas situações extremas, com raras exceções, a família é nosso refúgio e amparo. Nossa Igreja considera a família Igreja doméstica. O Novo Testamento fala da Igreja nas casas. Nosso Plano Diocesano da Ação Evangelizadora lembra que o espaço familiar foi um dos lugares privilegiados para o encontro e o diálogo de Jesus e seus seguidores com diversas pessoas. As atuais Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil ressaltam a família como sujeito fundamental da ação missionária da Igreja, lugar de iniciação à vida cristã. Ao mesmo tempo, no aconchego de nossas casas, vamos lembrar as pessoas que morrem sem o conforto da presença da família e daquelas que não podem viver o funeral de seus mortos.

Nesta quarentena, coincidentemente na quaresma, que por sua natureza nos pede o jejum, a sóbria utilização dos bens, a esmola, o relacionamento fraterno e solidário com todos, e a oração, o cultivo da familiaridade com Deus, procuremos divisar como seremos quando tudo voltar à normalidade. Procuremos definir alguns compromissos a vivermos após essa pandemia. E veremos que nada terá sido em vão, que terá valido a pena a seriedade nos cuidados emergenciais de agora para o cultivo dos cuidados permanentes indispensáveis para o nosso bem, dos outros e de toda a natureza, como nos propõe a Campanha da Fraternidade.

Com esperança cristã, ótimo domingo a todos e excelente semana.

Pe. Antonio Valentini Neto – Administrador Diocesano de Erexim




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