A Voz da Diocese


SANTÍSSIMA TRINDADE: Comunidade de Comunhão e Amor

Prezados irmãos e irmãs mais uma vez sintonizados na mensagem da Voz da Diocese que celebra o seu jubileu de ouro: 50 anos a serviço da Fé e da Vida.

A Solenidade da Santíssima Trindade nos convida a viver numa comunidade de comunhão e amor.

Celebrar a festa da Santíssima Trindade não é querer desvendar o mistério de um só Deus em três pessoas. É acreditar no Deus Uno e Trino e não se faz isso pensando em ordem numérica; não é uma questão matemática de um ou de três, mas uma questão de fé. Nós acreditamos em Deus verdadeiro que ao longo da história se manifestou a nós, um só Deus, mas que se revelou e revela sua face ao coração humano nas diversas circunstâncias da vida.

Também não poderíamos tentar explicar a Trindade dizendo que Deus se apresenta de um modo como Pai, de um modo como Filho ou de um modo como Espírito Santo, porque estaríamos falando de um modalismo e cairíamos numa heresia – princípio contrário à fé. Também estaríamos negando a Unicidade de Deus e a sua indivisível unidade. Deus é um só.

Para tentarmos compreender a Deus Trindade, a liturgia desta solenidade nos apresenta características que revelam a face de Deus na sua unidade, mas também no seu ser Trindade de pessoas.

Moisés, ao falar com Deus, não contempla a sua face, mas sente a sua presença, assim Deus continua no seu mistério. Mas Deus é um Deus da misericórdia que reconhece a fraqueza de seu povo e o perdoa. Moisés transmite esta mensagem de perdão de Deus, dizendo ao povo: “Guarda suas leis e seus mandamentos que hoje te prescrevo, para que sejas feliz, tu e teus filhos depois de ti” (1ª leitura). É um Deus que manifesta sua face misericordiosa e clemente, que se revela como amor e este amor é plenamente revelado em seu Filho Jesus Cristo.

Esse Deus misericordioso, clemente e amor, é também um Deus presença que revela quem Ele é quando Jesus nos diz: “Quem me vê, vê o Pai”. Portanto, nesta revelação do amor concreto que Jesus plenifica no mistério de sua paixão e morte de cruz, contemplamos a grandeza desse Deus Amor. É um amor doação que gera comunhão pela presença do Espírito de Deus: um Deus que é misericórdia; um Deus que é amor; um Deus que é comunhão. Aqui entendemos a unidade da Trindade: Misericórdia não existe sem amor; amor não existe sem a misericórdia e o verdadeiro amor e misericórdia geram comunhão no Espírito Santo. Portanto, a unidade da Família Trinitária se dá na compreensão da misericórdia, do amor e da comunhão que se fundem numa atitude nova. Assim podemos nos aproximar da compreensão do mistério da unidade de um só Deus em Três Pessoas.

Em cada início de celebração saudamos a comunidade, dizendo: “A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Amor do Pai e a Comunhão do Espírito Santo estejam sempre convosco!” Esta é uma expressão trinitária, ou seja, nos reunimos na graça, no amor e na comunhão, enraizados na comunhão trinitária. Uma comunidade nova – unida a exemplo da Trindade Santa. Mais do que querer decifrar o mistério trinitário, é preciso contemplar a beleza da Trindade no meio de nós.

Esta solenidade vem aprofundar nossa fé no Deus Uno e Trino e nosso compromisso de vivermos em comunidade de fé, que embora tenhamos a diversidade de dons, de carismas e funções, bem como outras diferenças que ao nos deixarmos guiar pelo Espírito de Deus, nos tornamos todos, filhos de Deus, podendo viver na Unidade (Cf. 2ª leitura). Isto nos é motivado pelo convite de Jesus para estarmos vinculados com a comunidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Desta forma somos chamados “a observar tudo o que Ele nos ensinou” e enviados a dar testemunho deste Deus amor, compaixão, misericórdia e presença. Confiantes na palavra de Jesus que não nos deixa sozinhos: “Eis que estarei convosco todos os dias, até os confins do mundo” (Mt 28,20), pois Deus não é um Deus distante de nós e sim oferece seu projeto de vida plena a toda a humanidade. Nisso também nos convoca a formarmos, a exemplo da Trindade Santa, uma comunidade de comunhão e amor.

“Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todos os homens e mulheres” (Santo Arnaldo Janssen).

Dom Adimir Antonio Mazali - Bispo Diocesano de Erexim – RS

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