A Voz da Diocese


A vida e o bem viver na Campanha da Fraternidade e na Romaria da Terra

A 43ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul, nesta terça-feira de carnaval, em Mormaço, Diocese de Cruz Alta, propõe a reflexão sobre “o bem viver no campo e na cidade”. Seu lema é “Dá-me de beber”, pedido da samaritana a Jesus no seu encontro com Ele junto ao poço de Jacó. A vida, em suas diversas manifestações, se desenvolve na terra e se revigora com a água da chuva, das fontes, rios, lagos e o mar. Mas, se os seres humanos precisam, como insiste o Papa Francisco, de terra, teto e trabalho, à luz da fé cristã, precisa também daquela água que jorra para a vida eterna, que só Cristo tem para dar, como Ele garantiu naquele encontro com aquela que se manifestou reticente em dialogar com Ele, mas que, depois, exultante, foi anunciar o seu feliz encontro aos membros da sua comunidade.

Além da natureza e importância da água para a vida, aquele poço de Jacó ressalta a sua dimensão comunitária e remete a uma tradição milenar do povo que dele se servia. Era local de encontro, de descanso, de refazer as forças com a água, ainda livre do consumismo e do mercantilismo que instrumentalizam a criação de Deus, confiada ao ser humano para cuidar dela não para explorá-la predatoriamente.

A Campanha da Fraternidade (CF) deste ano, que tem seu início também nesta terça-feira, igualmente propõe a reflexão sobre a vida, vista como dom e compromisso. No espírito quaresmal, a Campanha convida os cristãos, de coração disponível à conversão para a digna celebração da Páscoa, e todas as pessoas de boa vontade, a reconhecer a criação como presente amoroso de Deus, o qual não está recebendo o cuidado que lhe é devido. Como já convidou os brasileiros e brasileiras a refletir realidades vivenciais como a família, saúde, trabalho, moradia, violência, educação, políticas públicas, ela convida agora a considerar o tema vida, que “emerge em nossos dias como um clamor que brota de tantos corações que sofrem de inúmeras formas e da criação que se vê espoliada”, conforme a apresentação do seu texto base.

Através de seu lema, inspirado na parábola do bom samaritano, pela providência dele com o ferido à beira do caminho, “viu sentiu compaixão e cuidou dele”, a Campanha conclama a todos à “revolução do cuidado”. Nela, “cuidamos uns dos outros, cuidamos juntos da Casa Comum, porque Deus sempre cuida de todos nós”, segundo a mesma fonte. Com a figura do bom samaritano, a Campanha lembra modelo exemplar no cuidado das pessoas, especialmente dos mais empobrecidos, a querida Ir. Dulce dos Pobres, o anjo bom da Bahia, “mulher frágil no corpo, mas fortaleza peregrinante pelas terras de São Salvador da Bahia de Todos os Santos. Dulce, presença inquestionável do amor de Deus pelos pobres e sofredores. Dulce, incansável peregrina da caridade e da fraternidade. Dulce, testemunho irrefutável de que a vida é dom e compromisso. Dulce que via, se compadecia e cuidava. Dulce que intercede por nós no céu”, como enfatiza a Presidência da CNBB na mencionada apresentação.

“Talvez uma grande contribuição da CF 2020, conforme o secretário executivo de campanhas da CNBB, seja cultivar a ousadia de, neste mundo tão acelerado e indiferente, interrompermos nossa rotina, fazer uma pausa para rever nossas opções de vida e começar, sem demora, a cuidar uns dos outros.”

Pe. Antonio Valentini Neto – Administrador Diocesano.

0 visualização0 comentário