A Voz da Diocese


Isolamento social, oportunidade para reflexão, leitura, oração, família

A sabedoria popular sugere fazer do limão uma limonada. Diante de qualquer dificuldade, não se pode ter simplesmente a atitude da resignação, do conformismo. De cada situação nova, se pode dar um passo adiante.

A atual situação crítica da humanidade decorrente da pandemia do Coronavírus, Covid-19, exigindo o isolamento social, entre outras medidas necessárias segundo cientistas do campo da saúde, para conter o alastramento do contágio impõe limitações, sacrifica aspectos da economia, que, por maiores que sejam valem menos do que a saúde e a vida das pessoas. Não se trata de um falso dilema, a vida ou a economia. Que adiantaria salvar a economia e perder vidas? Trata-se de colocar a economia a serviço da vida. Dizia uma autoridade estadual que a economia pode ser ressuscitada depois desta crise, mas as pessoas que morrerem por causa dela não. Ou no dizer de outra, antes a pessoa falida do que falecida.

Voltando ao início, esta situação abre portas para muitas iniciativas. Quantos gestos pessoais, familiares, comunitários, institucionais de doação e serviço em favor dos mais atingidos!?

Segundo o testemunho de diversas pessoas, a situação está sendo oportunidade preciosa para a reflexão, para a meditação, para o silêncio. No ritmo frenético da vida é difícil parar para pensar. Compulsoriamente, agora se parou. Fazendo silêncio, se pode olhar para o fundo de si mesmo, fazer um histórico da própria vida, identificar erros e acertos, definir compromissos a serem assumidos, recompor os relacionamentos fundamentais da existência humana, com Deus, de quem somos filhos; com os outros, dos quais somos irmãos, na comunhão fraterna; com a natureza, da qual Deus nos constituiu seus cuidadores e não exploradores predatórios.

Este momento favorece a leitura. Ouvi alguém dizer que já lera tudo o que tinha em casa. A leitura areja a mente, enriquece o conhecimento, alimenta a espiritualidade. Como seria desejável não se passar um dia sem a leitura de uma passagem da Bíblia, de um livro de formação cristã e, por que não? do Catecismo da Igreja Católica, de livros de vida de santos e santas.

Naturalmente, este não poderia deixar de ser também tempo de oração mais extensa e intensa. Papa Francisco e todos santos testemunham sua convicção no poder da oração. A oração confiante, pura, humilde é sempre indispensável e eficaz. Mesmo quando aparentemente não se vê resultados, ela não é em vão, como disse o Papa. E há situações nas quais, talvez, não haja outro recurso. Rezar incluindo as mais diversas realidades, a exemplo do Papa. A cada dia, no início da missa que celebra na capela Santa Marta lembra grupos distintos – os idosos sozinhos, trabalhadores precários, as famílias em casa com as crianças, os médicos e agentes de saúde que dão suas próprias vidas para salvar a vida dos outros, as autoridades, os presos com suas incertezas, os agentes de saúde e padres que morreram socorrendo os doentes; os avôs e avós e diversos outros.

Sem dúvida, o isolamento social está sendo tempo maior de convivência familiar. O apelo “fique em casa” torna-se oportunidade maravilhosa de se estar em família. A própria liturgia passa a ser vivida em família enquanto não se pode participar presencialmente das celebrações nas igrejas.

Enfim, este isolamento social, vivido de forma coerente e responsável, pode ser laboratório de transformação para um mundo diferente, como certamente todos desejam e mais de acordo com o projeto de Deus.

Pe. Antonio Valentini Neto – Administrador Diocesano

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