As origens e a caminhada  

A trajetória paroquial 

marcada pela fé e evangelização

Datas comemorativas jubilares, especialmente de 25, 50, 100 anos ou semelhantes de uma instituição, entidade, município ou qualquer organização social motivam diversas pesquisas, buscando históricos o mais abrangente possível, para que assim possam traçar a origem, o contexto e os ideais das pessoas que a desencadearam. Olhar para o passado ajuda a compreender o presente e favorece a projeção do futuro. Quem não olha o passado é ingrato com quem o precedeu e não dará continuidade lógica à história. Com quem e em que contexto iniciaram estes 100 anos da Paróquia São José? 

Fontes históricas registram a presença humana na região do Alto Uruguai há 10 mil anos. Índios caingangues viviam aqui há 300 anos. A presença indígena não é devidamente contemplada nos livros de história e menos ainda na consciência popular. Além das restrições de conotação discriminatória em relação aos índios, há o receio de que o reconhecimento da sua presença em determinada área favoreça a demarcação de terras, com forte impasse para os atuais moradores.   

Antes de se iniciar a povoação branca propriamente dita, a região era habitada por fugitivos de guerra dos Farrapos (1835-1845), da Revolução Federalista (1893-1895), da polícia, da justiça e dos posseiros que se apropriavam das terras do Estado. Era também alvo da incursão de pessoas que haviam pertencido às expedições bandeirantes (grupos que se escondiam pelo interior a partir de São Paulo). Pelo Goio-En, os paulistas teriam penetrado em solo sul-rio-grandense em busca de ouro. Foi também por aí que os jesuítas cruzaram o rio Uruguai em barcos improvisados de couro de gado, dirigindo uma caravana de milhares de índios expulsos de Guaíra. Note-se que o povoado de Nonoai teria iniciado em 1838 e se tornou caminho para os paulistas nas suas incursões.  

      

Em 6 de outubro de 1908, Carlos Barbosa Gonçalves criou a Comissão de Terras para a colonização da região, fazendo inicialmente a devida demarcação. Ele criou a colônia Erechim (atual Getúlio Vargas.) Já em 30 de abril de 1918, foi criado o município de Boa Vista do Erechim (atual Erechim).  

Os pioneiros do grande Erechim eram de fé cristã, em sua grande maioria, pertenciam à Igreja Católica Romana. Eram de diversos países da Europa ou de descendentes deles que se haviam estabelecido em outras regiões do Estado e que eram designadas “terras velhas”. Ao chegarem, organizavam logo sua comunidade com um local para suas orações e festas e a escola para a educação dos filhos. Diversos desses locais são hoje sedes paroquiais.  

Paróquia São José da Boa Vista do Paiol Grande (Erechim) 

A primeira missa na atual cidade de Erechim foi celebrada em 1911, numa casa grande construída nas proximidades da Estação da Viação Férrea, que serviu de estabelecimento comercial e depois de hotel. 

A primeira capela de madeira foi construída por iniciativa de Elisa Vacchi. Ficava na rua Torres Gonçalves, pela metade da primeira quadra, à esquerda no sentido Centro-Bairro, com 24 metros quadrados. Foi dedicada a Santo Antônio. A primeira missa nesse oratório foi celebrada no dia 13 de junho de 1913, pelo padre Alberto Scheurmann, de Getúlio Vargas. Nesta capelinha esteve, em 21 de outubro daquele ano, pela primeira vez na região, um bispo, o de Santa Maria, Dom Miguel de Lima Valverde. E fez uma grande previsão: “O estábulo de Belém era pequeno e a capela que ora visito é menor ainda. Mas tenho a certeza de que dessa igrejinha surgirá um dia uma grande matriz”.  

Da imigração herdou-se o modo de ser comunidade centrado na pessoa de Jesus Cristo, o Verbo Encarnado que apresenta o Reino de Deus. Em 19 de agosto de 1919, o Bispo de Santa Maria, Dom Miguel de Lima Valverde, criou a primeira Paróquia daquilo que conhecemos hoje por Erechim, dando-lhe São José como padroeiro. 

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Com o passar do tempo, aquela igreja de madeira, de 1915, passou a ser apertada para a população. Assim, em 1927, iniciou-se a construção de uma nova igreja matriz, de alvenaria, de 45m por 20m - 945m². A conclusão da obra aconteceu em 1935.  

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   A Catedral 

Quando a Diocese de Erexim foi criada, em 1971, a paróquia mais antiga da sede diocesana, no caso, a Paróquia São José, passou a ser também a Igreja catedral. Neste período estava sendo construído um novo templo religioso, capaz de acolher um maior número de fiéis, cujo início de construção se deu em 1969 e inauguração em 1977.  

Catedral vem de “cathedra”, palavra latina que significa cadeira de quem ensina ou da qual alguém ensina, ou cargo de professor de ensino superior. No caso, a referida igreja matriz se tornou catedral porque nela fica a “cadeira” de onde o bispo preside, na caridade, toda a igreja diocesana.  

Durante esta caminhada, faz bem destacar o envolvimento daqueles que souberam viver sua fé a partir da comunidade paroquial. Muitas obras e, certamente, boa parte do desenvolvimento da região se deu por incentivo e parceria da Igreja Católica, principalmente nas áreas sociais, educacionais e de saúde. Recorda-se desde a resolução de conflitos e impedimento de combates nas épocas das revoluções, até a liberação de materiais indispensáveis vindos de trem até Paiol Grande, até os hospitais de Caridade e Santa Terezinha, o Lar da Criança, Patronato São José, Lar dos Idosos, os Colégios Marista, Franciscano São José, da Consolatta, Seminário de Fátima, Universidade Regional Integrada (URI), e outras entidades que possibilitaram o crescimento da fé e da comunidade erexinense como um todo.  

 

 

Padre Benjamin Busato e o zelo catequético 

 

       

Pe. Benjamin é recordado por zelo catequético. Redigia e entregava às famílias textos de educação da fé. É recordado também por seu trabalho social. De acordo com Sônia Mári Cima, além de fundar o Círculo Operário, reestruturou a Associação Rural, que teve por sede o atual terreno do Seminário de Fátima, que era do Estado e depois passou para a Mitra Diocesana de Passo Fundo.  

Durante a 2ª Guerra Mundial, Pe. Benjamim fazia vir de Porto Alegre querosene para os agricultores utilizarem em seus lampiões, assim como sal, açúcar e outros produtos que faltavam na região. Além disso, incentivou o cultivo de soja na região, por exemplo, em 1948, ele entregou à família Lise uma bolsinha com alguns quilos de semente, recomendando que plantasse e cuidasse bem. Aquelas primeiras sementes foram plantadas onde hoje está o Centro Diocesano de Pastoral. Segundo conta em uma de suas crônicas, Meu Erechim Cinquentão, n° 30, Pe. Benjamin garantiu a construção da estrada a Nonoai. Foi também um dos idealizadores da Romaria da Salette em Marcelino Ramos.  

Ele também teve desafetos e contestação, chegando a ter um “enterro simbólico”. Ao deixar a Paróquia São José, ficou sem exercer o ministério presbiteral por algum tempo. Reintegrado no ministério, foi capelão do Hospital de Caridade, em Erechim, de 1963 a abril de 1966, quando passou para o Hospital Santa Isabel de Gaurama, onde permaneceu até o final de sua vida. Faleceu no dia 27 de março de 1984, em acidente automobilístico no trevo de Erechim a Gaurama, na BR 153. Seus restos mortais estão nos ossários da Catedral São José. 

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Uma grande personalidade da Paróquia certamente foi o padre Benjamin Busato, pároco de dezembro de 1926 a maio de 1950. Grande liderança, com diversas iniciativas não só no campo religioso, mas também social, escritor de crônicas audazes no jornal A Voz da Serra (Voz Regional), e colunista sobre Política e Religião do Correio Riograndense, na época “Staffetta”. Valia-se do pseudônimo Chico Tasso e, de fato, seus textos eram uma verdadeira chicotada com destinatários diversos, conforme assuntos abordados. No jornal Staffetta, usava o pseudônimo “Bepi Scuria” – José Soiteira (açoiteira, rebenque). 

Cenário atual  

Hoje a Paróquia São José abrange a porção do povo de Deus organizada em dezesseis comunidades – três delas urbanas e treze rurais (Santo Isidoro, São Francisco de Assis, Cristo Rei, São Luiz Gonzaga, São Paulo, Nossa Senhora do Rosário, São Brás, Santa Lúcia, Nossa Senhora do Rosário de Fátima, Nossa Senhora de Lurdes, Santo Antônio, São Roque, São Pedro, São Caetano, Divino Espírito Santo e a Matriz São José).  

São presença constante na vida das comunidades os organismos dos Conselhos Paroquiais de Pastoral, Conselhos Econômicos, Ministros extraordinários da Palavra, da Caridade e da Sagrada Eucaristia, Pastoral da Saúde, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude Estudantil, Pastoral do Batismo, Pastoral da Esperança e da Consolação,  Cáritas, Vicentinos, Movimento Familiar Cristão, Cursilho de Cristandade, Catequese, Coroinhas, Amigos da Catedral, Equipes de Liturgia e Canto Litúrgico, Apostolado da Oração, Terço Diário, Terço da Misericórdia, Zeladoras das Capelinhas Domiciliares, Vida Religiosa Consagrada, Vida Leiga Consagrada e Fraternidades, que fazem a vida pulsar nas mais variadas experiências de fé a partir do encontro com Jesus, lançando todos os paroquianos ao seguimento alegre da pessoa de Jesus Cristo.  

Que São José, nosso padroeiro, e Maria, assunta aos céus, intercedam por todos os paroquianos, ajudando a todos a serem e formarem comunidades vivas em torno do ressuscitado.  

Padres da paróquia 

Pároco 

Pe. Alvise Follador 

Nascimento: 07 - 11 - 1961

Linha Caruso – Erval Grande/RS
Filiação: Albino Follador e Sabina Antônia Follador

Formação:

Ensino Fundamental
1ª a 4ª série: Escola João XXIII, Linha Caruso, Erval Grande; 1969 a 1973
5ª série: Ginásio Estadual de Erval Grande; 1975
6ª a 8ª série: Seminário de Fátima – Erechim – 1976 a 1978

Ensino Médio
Seminário Nossa Senhora de Fátima – Erechim -1979 a 1981

 

Ensino Superior
Filosofia: Instituto de Filosofia e Teologia “Mater Ecclesia - Ponta Grossa/PR – 1982 a 1983 e Centro Educacional “Dom Carlos” – Palmas/PR - 1989
Teologia: Instituto de Filosofia e Teologia “Mater Ecclesia” - Ponta Grossa/PR- 1985 a 1986 e Instituto de Teologia e Pastoral - Itepa - Passo Fundo – 1987 a 1988.

Ordenação:

 

Diaconal
14.05.1989: Capela Nossa Senhora de Fátima - Linha Caruso - Erval Grande

Presbiteral
31.12.1989: Paróquia Nossa Senhora da Glória - Erval Grande/RS

Funções exercidas:

 

1984: Estágio, como professor e assistente dos seminaristas, no Seminário de Fátima.
1989: Estágio, como Diácono, na Catedral – Erechim.
1990 a 1992: Vigário Paroquial na Catedral São José – Erechim.
1993 a 1997: Pároco da Paróquia São Caetano- Severiano de Almeida.
1993 a 1997: Administrador Paroquial da Paróquia São Francisco -  Mariano Moro.
1998 a 2011: Pároco da Paróquia São Tiago - Aratiba.

2012: Pároco da Catedral São José – Erechim.  

                                                                      Outras atividades:


1989: Diácono e Coordenador da Catequese na Catedral São José;
1995: Assessor Diocesano de Catequese
1998 a 2011: Diretor Executivo da Rádio Aratiba.   

 

Membro do Conselho de Presbíteros e do Conselho Econômico da Diocese, em diversas ocasiões.

2018: Presidente da Diretoria Executiva da Rádio Aratiba.

Vigário paroquial

Pe. Gladir Pedro Giacomel.

Nascimento: 25/09/1962
Linha Duas, Barãode Cotegipe/RS
Filiação: Elírio Giacomel e Delícia Marmentini Giacomel

Formação:
Ensino Fundamental
1ª a 4ª série (antigo primário): Escola Estadual Cônego Estanislau Polon – Linha 2 – Barão de Cotegipe.
5ª a 8ª série (antigo ginásio): Seminário de Fátima – Erechim/RS

Ensino Médio
Seminário Nossa Senhora de Fátima – Erechim/RS

Ensino Superior
Estudos Sociais: no CESE – FAPES;
Teologia: Instituto de Teologia e Pastoral – Itepa;
Geografia (Pelna) - Universidade Regional Integrada – URI;

Ordenação:

Diaconal
29.03.1987: Nª. Srª. das Graças, Linha 02 – Barão de Cotegipe

Presbiteral
01.01.1988: Matriz de Barão de Cotegipe

Especializações:

Pós-graduação em Metodologia do Ensino Bíblico pela Universidade Católica de Pelotas – convênio com o ITEPA;
Mestrado em Educação - Universidade de Passo Fundo – UPF;
Alguns cursos complementares no campo de Teologia e Pastoral, bem como outros cursos em diversas áreas da pessoa humana.

Funções exercidas:

1988: Assistente, professor e vice reitor do Seminário de Fátima;
1989 a 1996: Promotor Vocacional da Diocese e assistente do Propedêutico;
1997 a 1998: Formador dos estudantes de Teologia em Passo Fundo;
1999 a 2000: Vigário Paroquial da Paróquia São Francisco de Assis – Passo Fundo;
2001 a 2007: Pároco da Paróquia São Luiz Gonzaga – Gaurama;
2008 a ..... Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Salete – Erechim.

2020 - Vigário Paroquial na Catedral

Outras funções:

1997 a 1998: Professor do ITEPA – Passo Fundo;
1999: Estudos de conclusão do Mestrado;
1998 a 1999:Professor de Filosofia e Metodologia de Pesquisa na UPF – Campus de Passo Fundo, Lagoa Vermelha, Casca e Soledade;
1989 a 1990: Representante dos presbíteros da Diocese de Erexim;
Professor no Seminário de Fátima, Antônio Scussel de Getúlio Vargas, Colégio Mantovani, João Caruzzo (Erechim), Apae e Geny Telles Colpani de Campinas do Sul;
2008: Orientador espiritual dos estudantes de teologia em PF.
2008: Membro do Conselho Econômico da Diocese de Erexim (representa a área de Erechim).
 

Párocos que passaram pela história da Paróquia:

Vicente Testani, Luiz Balzarotti, Francisco Richard, Justino Girardi, Humberto Zeller, Fidelis Kamp, Modestino Oechtering, Pancrácio, Carlos Schwergschlager, Vicente Testani, Benjamim Busatto, Gregório Comassetto, Fioravante Magrin, Tarcísio Utzig, Atalibo Lise, Girônimo Zanandréa, atual Bispo Emérito, Atalibo Lise, Luiz Warken, Antonio Valentini Neto e Alvise Follador. 

Vigários paroquiais que passaram pela história da Paróquia:

Francisco Osmari, Pio Buasanello, Egídio Marin, Estanislau Pollon, Ludovico Redin, Albino Busatto, Lino Longo, Vitório Serraglio, Amélio Caovilla, Santo Guerra, Alcides Ferreira Leite, Juliano Noal, João Blaszczak, Lido Liberalli, Luiz Antonio Busanello, João Gheno, Pe. Geraldo Moro, Antonio Tamagno, Eolino Bortolanza, Milton Mattia, Aquiles Jacob Klein, Antonio Divino Serraglio, Antonio Valentini Neto, Valdecir Rovani, Ivo Moehlecke, Girônimo Zanandréa, Avelino Backes, Valter Girelli, Valdemar Zapelini, Olírio Streher, Moacir Stieve, Gabriel Zucco, Jorge Elias Dall'Angol, Lecir Barbacovi, Alvise Follador, Maximino Tiburski, Carlos Zorzi, Agostinho Dors, Valtuir Bolzan, Dirceu Dalla Rosa, José Carlos Sala e Claudino Talaska. João Dirceu Nardino, Everton Luiz Sommer, Paulo Cezar Bernardi, Cleberton Piotrowski, Anderson Faenello, André Ricardo Lopes, Maicon André Malacarne e Jean Carlos Demboski.