Catedral São José
Um Monumento de fé 

     Quando é criada uma Diocese, a igreja mais antiga da sede diocesana passa a ser a catedral. Vem de “cathedra”, palavra latina que significa cadeira de quem ensina ou da qual alguém ensina ou cargo de professor de ensino superior. No caso, a referida igreja se torna catedral porque nela fica a “cadeira” que simboliza a autoridade do bispo como doutor, profeta e liturgo e da qual ele preside a assembléia litúrgica e a comunhão na caridade. Na catedral, o bispo tem a sua cátedra de magistério e de governo pastoral da Diocese.

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           A construção da catedral de Erexim foi iniciada em julho de 1969 e inaugurada em 15/5/1977. O projeto foi do Dr. Plínio Totta, de Porto Alegre, RS. O engenheiro foi Dr. Almiro Badalotti, de Erechim. O idealizador e executor dos painéis murais foi Dr. Arystarch Kaszkurewicz. O artista plástico erechinense, Harrusson Testa prticipou dos trabalhos, oportunidade em que se iniciou na arte do esgrafito, alcançando projeção nacional e internacional. O desenho dos vitrais foi do Pe. Ary Nicodemos  Trentin, de Caxias do Sul. O pároco que acompanhou a construção do início ao fim foi o Pe. Atalibo Maurício Lise. Integraram a comissão de obras e/ou a Diretoria (Conselho Econômico): Célio Bigolin, Hermes Bernardi, Lindomir Michelin, Edson Xavier, Orélio Pecin, Olmiro Zanardo, Luiz Frizzo, Fernando Sefrin Filho, Domingos Rosset, Marcelo Palma, Osmar Pedrollo, Elírio Toldo, Francisco Schmidt, Belmiro Zaffari, Carlos Gomes, Gilson Fehlauer, Anor Fontana, Tobias Pereira Sobrinho e outros.  O custo total, na época, foi de Cr 3.000.000,00 (três milhões de Cruzeiros).

          Pe. Atalibo Lise nasceu no dia 10/6/1927, na comunidade Na. Sra. de Lurdes, Km 10-Dourado. Foi ordenado presbítero no dia 08/12/1956. Trabalhou no Seminário (1957, ecônomo), em Liberato Salzano, São Valentim, Vila Maria, Viadutos, Gaurama, Campinas do Sul, Erechim (Catedral, Paróquia São Cristóvão e Paróquia São Pedro).

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       Arystarch Kaszkurewicz nasceu em 12/02/1912, em Sluck, Polônia. Formou-se em direito, em 1936. Como advogado, fez o Curso de Belas Artes. Durante a II Guerra Mundial, em conseqüência da explosão de uma granada, perdeu as mãos e uma das vistas. Veio ao Brasil em 1952, fixando-se em São Bernardo do Campo, SP, passando a dedicar-se à arte sacra, notadamente à arte dos mosaicos e vitrais. Sua esposa Ludmila, o acompanhava sempre nos trabalhos. Seu único filho, Eugenius, reside no Rio de Janeiro, onde é professor universitário. Entre suas obras, está a decoração de igrejas de Campinas, Jundiaí, Americana, Limeira, Santo André, no Estado de São Paulo; Cuiabá, MT; Fortaleza, CE; Brasília; Montevidéu, Uruguai; Dom Feliciano, Catedral de Erexim e a de Passo Fundo, no RS. Faleceu no dia 08/4/1989. Foi com ele que o artista plástico Harrysson Testa começou a desenvolver a arte do esgrafito, alcançando depois projeção nacional e  internacional.     São três painéis maiores, 14 quadros grandes da Via-Sacra e símbolos menores em baixo-relevo  (esgrafito).

Santa Ceia

         No centro, no fundo do presbitério, com  8 m de altura e 15,95 m de largura. Para identificar o traidor de Cristo, deixou Judas sem auréola. Na mesa da Ceia, estão os dois peixes e a cestinha de com os cinco pães do milagre da multiplicação dos pães. Ao representar a última Ceia, com a instituição da Eucaristia, o artista visibiliza o milagre que a prefigurava. À direita e à esquerda do quadro da ceia está uma faixa com símbolos de trigo e de uva, dos quais provêm o pão e o vinho para a Eucaristia. Sob a sigla JHS (em latim : Lesus Hominun Salvador - Jesus o Salvador dos Homens), acima da Cátedra, discretamente o artista deixou a marca de sua etnia , a águia polonesa. Ao pé da mesa, está o desenho de uma talha e de uma cesta cheia de pães. A talha poderia lembrar o milagre de Caná, no qual Jesus transformou água em vinho. O "mestre sala" disse ao noivo que havia guardado o "vinho melhor" até aquele momento. Na Ceia, Jesus transforma o vinho no seu sangue. Este sim é o vinho melhor. A cesta com os pães poderia lembrar aqueles doze cestos de pedaços de pão recolhidos por ocasião da multiplicação dos pães , depois que todos se alimentaram. Na ceia, Jesus oferece os eu Corpo, Pão da Vida, em abundância. Nunca Faltará. 

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Batismo do Senhor 

       Na frente, à esquerda de quem entra na igreja, com 8,65 m de altura e de 3,66 m de largura. Jesus nas águas do Jordão sendo batizado por João Batista tem acima da pomba que representa o Espirito Santo, a "mão" do Pai, no triangulo da Trindade. Pode-se observar que o Jesus do Batismo demonstra ter menos idade do que o Jesus da Paixão (três anos). À esquerda de quem olha o painel, estão os símbolos dos Sacramentos, nesta ordem, de cima para baixo: batismo, crisma, eucaristia, penitencia, unção dos enfermos, ordem e matrimônio. À direita, Símbolo das virtudes teologais - Fé, esperança, e caridade - e das virtudes cardeais - prudencia, justiça, fortaleza e temperança. 

Ascensão do Senhor 

        De 8,65 m de altura e 3,76 m de largura. Apresenta o anjo junto ao túmulo e Jesus Ressuscitado acima dele. A figura do Ressuscitado é ladeada por uma via sacra em miniatura, começando à esquerda de quem olha, de cima para baixo. Consta apenas da cruz e algum símbolo. A posição da cruz ou o sinal que acompanha indica a que quadro corresponde. O primeiro quadro é um machadinho. Simboliza a decretação da sentença de morte de Jesus pela autoridade. O lírio junto a cruz: encontro com a mãe; mão na cruz: Simão que ajuda Cristo a carrega-la; o rosto no pano: o encontro com Verônica; os dois lírios: As mulheres ... Cada quadro é rodeado pela coroa de espinhos. Esta via-sacra, por sua vez, é também ladeada de símbolos de trigo, de uva, do monograma de Cristo encimado pela coroa (a vitória do Ressuscitado). 

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Via-Sacra

         De 3,75 m de altura e de 2 m de largura. Apenas o 8º quadro, encontro com as mulheres, tem três figuras. Os outros, Apenas uma ou duas. No primeiro painel, da direita para a esquerda, a condenação de Jesus à morte, estão representados regimes ditatoriais e opressores diversos. 

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Quadros dos evangelistas 

       A iconografia cristã (representação por imagens) atribui um símbolo a cada um dos quatro evangelistas. Esta atribuição é feita a partir dos textos de Ezequiel 1, 1-4 e 10, 14 e de Apocalipse 4, 6-7, que falam de quatro seres vivos com aparência de touro, leão ser humano e águia. O primeiro a relacionar os evangelistas com estes foi Santo Irineu (+203). Depois foi Santo Agostinho (+ 430). No peitoril do mezanino ("coro"), estão estes símbolos dos quatro evangelistas. 

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Leão -  (primeiro à esquerda de quem olha para o mezanino) está simbolizado o evangelista São Marcos, porque no ínicio de sua narração do Evangelho diz que João Batista apareceu o deserto, onde mora a fera (Mc 1, 4). O leão simboliza o poder e ao vigor. Marcos escreveu o Evangelho para os cristãos vindos do paganismo e do judaísmo, ressaltando que Jesus é o Filho de Deus. 

Ser com rosto de homem -  Está representado São Mateus, porque começou o Evangelho com a genealogia de Jesus (Mt 1, 1-14). O ser humano representa a amabilidade e a compreensão. Mateus escreveu para os convertidos à fé cristã oriundos do judaísmo , ressaltando que Jesus Cristo  é o Messias por eles esperado. 

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Touro -  Está simbolizado o evangelista São Lucas porque começou o Evangelho falando do Templo, onde eram imolados os bois (Lc 1, 5-25). O touro é símbolo da força.  Lucas escreveu para as comunidades constituídas entre os gentios, os que não eram de descendência de Abraão. Ressalta a misericórdia divina. 

Águia -  Está simbolizado São João por causa de seu estilo elevado de escrever o Evangelho ( Jo 1, 1-18). A águia é símbolo de seres celestiais, pela beleza de seu voo e pela altitude inatingível onde constrói seu ninho. Ele escreveu o Evangelho para as comunidades da Ásia menor, combatendo certas heresias , como dos gnósticos. 

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Tiara Papal -  No centro do peitoril do mezanino, no meio dos quatro símbolos dos evangelistas, está a tiara papal, a mitra do Papa ("Barrete alto cônico, fendido lateralmente na parte superior e com duas faixas que caem sobre as espáduas "). Representa a dignidade do Papa, com seus títulos principais: Pastor da Igreja Católica (principio visível e fundamento da unidade de fé e da comunhão , sucessor de São Pedro), Bispo de Roma, Autoridade civil do minúsculo estado do Vaticano. Pode-se ver nela também o tríplice múnus de Profeta, Sacerdote e Pastor do Papa na igreja.